Clemencia Anaya Maya, Presidente da Academia Olímpica da Colômbia

Clemencia AnayaSilvia Dalotto, vice-presidente da Associação Pan-Iberica de Academias Olímpicas, entrevista Clemencia Anaya, presidente da Academia Olímpica da Colômbia e secretária da APAO.

Como foi o seu primeiro contato com o Movimento Olímpico e o que a motivou a se envolver ativamente?

O meu caminho em direção ao Movimento Olímpico ocorreu por acaso, quando realizava um trabalho de tradução de livros de desporto do inglês para o espanhol para a editora Educar Editores, na Colômbia. Por esse motivo, fui contatada, por volta de 1989, pelo então Instituto Colombiano do desporto (Coldeportes), hoje Ministério do desporto da Colômbia.

Trabalhei, também para essa instituição traduzindo alguns manuais de basquetebol destinados a treinadores do meu país.

Assim, por causa dos meus conhecimentos desportivos e das minhas habilidades em inglês, fui convidada pelo então presidente do Comitê Olímpico Colombiano, Jorge Herrera Barona, que me nomeou Coordenadora da Comissão Técnica desse organismo desportivo. Era uma época de grandes mudanças, na qual sonhávamos em ter delegações com total apoio da ciencia do desporto e as melhores relações com países desenvolvidos e, é claro, com o Comitê Olímpico Internacional.

Desta forma, fui ingressando no Movimento Olímpico e abrindo caminho para diversos programas, incluindo a criação da Academia Olímpica Colombiana, com a qual desenvolvo um intenso trabalho desde 1992 até os dias de hoje.

Ao longo da sua trajetória, que papel o Olimpismo tem desempenhado na sua vida pessoal e profissional?

O Olimpismo enraizou-se na minha vida desde 1992, quando recebi o meu “batismo olímpico” na Sessão Internacional para Jovens Participantes, e tem fortalecido minha vida pessoal , profissional e familiar ao longo de trinta e três anos.

O olímpismo ocupa um lugar central, pois acredito que, para ser olímpica, não basta apenas saber o que é o Olimpismo, mas é preciso dar o exemplo, promover os seus valores, fazê-los respeitar e difundi-los em todas as atividades que realizo.

Poderia partilhar alguma experiência ou momento que tenha marcado um antes e um depois do seu vínculo com os valores olímpicos?

Sim. Após o meu “batismo olímpico”, o meu desejo de compreender a dimensão educativa e cultural do Olimpismo levou-me a ler muito, analizar muitos documentos e entender a importância da expressão do belo e do bom de que falava Platão, representada na arte, escultura, pintura, poesia e literatura. Nesse percurso, descobri que os Jogos Olímpicos organizavam um concurso chamado Prix Olympia de Filatelia e que todos os países realizavam emissões filatélicas comemorativas dessa festa quadrienal.

Assim, decidi desenhar um selo para celebrar o centenário de Atlanta 1996, que acabou sendo agraciado com a primeira Medalha de Ouro Olímpica da história do meu país. Quando soube, a minha alegria foi imensa, mas toda a área técnica me pediu que não dissesse nada à imprensa, pois a Colômbia nunca havia conquistado uma medalha de ouro antes. Nesse momento percebi que o meu país precisava que eu redobrasse esforços para fazê-lo entender que o Olimpismo vai para além da arena desportiva, transcendendo o esforço físico para extrair o melhor do ser humano em diferentes áreas do conhecimento.

Quais destacaria como as principais conquistas alcançadas durante a sua gestão, e quais desafios ainda permanecem?

As minhas principais conquistas foram:

  • A primeira medalha de ouro em filatelia olímpica no Prix Olympia 1996, com selo desenhado por Futuro Moncada.
  • A criação do Programa de Altos Estudos do Desporto da AOC em 1998.
  • A medalha de prata no Prix Olympia de Sydney 2000 com um selo celebrando o centenário da participação olímpica, desenhado por Sandra Mahecha.
  • O quinto lugar com a obra em óleo sobre tela Fast Detail no concurso Arte e Desporto, exibida na Ópera de Sydney por ocasião dos Jogos Olímpicos, obra do mestre Guillermo Arriaga.
  • A implementação das Tertúlias Olímpicas em 2003, um programa que percorre o país com convidados especiais que analisam temas sobre a história e o desenvolvimento do Olimpismo e do Movimento Olímpico no mundo.
  • O Segundo lugar no Concurso de Música e Desporto de Pequim 2008 com a canção Es el Momento, cantada em inglês e francês por crianças de 8 a 12 anos e escrita por elas sob direção do Taller Artístico Clara Luna.
  • A formulação da proposta para criar as Cátedras Olímpicas, que hoje fazem parte dos programas académicos de 23 universidades colombianas e que deram origem a onze Centros de Estudos e Pesquisa Olímpica.
  • A assessoria para a organização dos IX Jogos Sul-Americanos Medellín 2010, sob o enfoque olímpico e com as quatro dimensões do Olimpismo: Educação, Desporto, Cultura e Sustentabilidade.
  • A assessoria à candidatura de Medellín aos Jogos Olímpicos da Juventude 2018, que chegou à final junto com Glasgow e Argentina.
  • A atualização da Carta Internacional da Educação Física, Atividade Física e Desporto na cidade de Medellín em 2014, um documento que não era revisto desde 1978. Convidamos 28 organizações internacionais, incluindo o Comitê Olímpico Internacional, para colocá-lo ao mesmo nível da Carta Olímpica — hoje chamada Carta da UNESCO.
  • A organização do I Congresso Internacional Olimpismo, Desenvolvimento e Paz em Bogotá em 2024, com conferencistas internacionais e com mais de quinhentos participantes.
  • A assinatura do Memorando de Entendimento com a Academia Olímpica Internacional em 2024, que resultou na I Expedição em Olímpia e no I Curso In Situ sobre História e Filosofia do Olimpismo em 2025.

Como descreveria a relação e o trabalho conjunto entre a sua Academia e a APAO?

Recordo a relação com a APAO como muito ativa e amistosa desde 1996, baseada na apresentação de relatórios bienais e na valorização da importância dos nossos países poderem partilhar situações, programas, avanços e dificuldades.

Se pudesse transmitir uma mensagem aos jovens que hoje iniciam o seu caminho no Olimpismo, qual seria?

Diria-lhes que é preciso pensar como Coubertin na sua época e seguir uma das suas máximas: “Ver longe, falar francamente e agir com firmeza.”

No entanto, devemos sonhar considerando que o Olimpismo foi concebido por ele com a ideia de que todos (e todas) podem participar sem discriminação de qualquer tipo, mas respeitando as condições e circunstâncias do presente.

É preciso sonhar, perseverar e confiar no que fazemos para convidar os outros a unir-se com alegria e compromisso. A tarefa não é de alguns dias — é para a vida toda, porque o Olimpismo é uma filosofia de vida, e a vida acompanha-nos até o fim de nossos dias.

Finalmente, que ensinamento ou valor do Movimento Olímpico a tem acompanhado sempre e continua a guiar a sua vida?

Acredito que dois valores me acompanharam sempre: a perseverança e a alegria do esforço, pois tive que superar muitos obstáculos para realizar o que me propus.

Mas, sem dúvida, ao alcançar os objetivos, a satisfação tem sido plena.


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